Governo acena com repasse somente com a redução da tarifa do transporte coletivo.

Após quatro meses da renovação de contrato, a direção da Visate está empenhada na busca de subsídio da Prefeitura de Caxias do Sul para manter a operação do transporte coletivo em funcionamento. Para isso, a empresa reivindica um aporte no valor de cerca de R$ 3 milhões por mês.

 

Na última quinta-feira (30), o diretor-geral da Visate, Gustavo Marques dos Santos, apresentou a situação financeira da empresa para os vereadores Denise Pessôa (PT), Maurício Marcon (sem partido), Ricardo Daneluz (PDT), Sandro Fantinel (Patriota) e Wagner Petrini (PSB), integrantes da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação da Câmara caxiense.

Segundo Petrini, presidente da Comissão, o diretor da empresa detalhou informações que mostram que os aumentos do preço do combustível são os principais motivos para a necessidade do aporte financeiro. Santos teria afirmado na reunião que sem o auxílio haveria a possibilidade de novas demissões e atrasar o pagamento do 13º salário dos trabalhadores a partir de novembro.

“A empresa deixou claro. Se a Prefeitura não intervir com subsídio o sistema de transporte pode entrar em colapso no final do ano”, disse o parlamentar.

Petrini comentou ainda que a empresa apresentou uma estimativa do valor da tarifa de R$ 7,90, com base nos custos atualizados.

Os vereadores da Comissão pretendem agendar uma reunião com o prefeito Adiló Didomenico (PSDB) para intermediar uma alternativa para a manutenção do serviço.

A Visate informou por meio da assessoria de comunicação que “a empresa opta por não se pronunciar sobre o assunto”.

Aporte somente com redução da tarifa

O secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade, Alfonso Willenbring Júnior, disse que o Executivo trabalha em um projeto de lei que pretende atualizar as diretrizes do transporte coletivo e incluir a possibilidade de subsídio.

Willenbring afirmou que desconhece a pauta tratada com os vereadores como a solicitação do subsídio de R$ 3 milhões por mês e o novo cálculo da tarifa estimado em R$ 7,90.

“Isso tudo é informação nova. Eles têm um contrato com o Município e estão negociando com os vereadores. Não é a Câmara de Vereadores que administra o contrato. Não é a Câmara de Vereadores que gerencia o contrato. Não sei nem como comentar o que tu estás me dizendo (…) Em maio, assinaram um novo contrato. A pandemia não era novidade quando foi assinado o novo contrato”, disse o secretário.

Segundo Willenbring, o governo Adiló cogita disponibilizar um subsídio para a concessionária do transporte coletivo. Porém, o aporte de recursos somente será concedido com a condição de reduzir o valor da tarifa que atualmente custa R$ 4,75. Na campanha eleitoral do ano passado, Adiló prometeu reduzir o valor da passagem para R$ 3,50.

“A hora que for feito qualquer aporte de recursos junto à concessionária certamente é para reduzir o valor da tarifa. O Município não dispõe de recursos desse valor (R$ 3 milhões) que você está falando. Não existe essa possibilidade”, descarta o Willenbring.

Com o novo contrato de concessão assinado em maio, a próxima revisão tarifária será realizada em março do ano que vem.

Contrato anterior

De acordo com Willenbring, o Executivo municipal e a Visate discutem medidas de compensação do contrato anterior, devido as perdas durante a pandemia.

Questionado se o assunto está sendo discutido na Justiça, o secretário preferiu não comentar.

“O cidadão que paga passagem quer pagar mais barato. Ele não quer saber o que a gente está tratando com a Viação Santa Tereza. Ele quer pagar mais barato e manter a qualidade e a regularidade do serviço”, finalizou.

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